O lançamento da coletânea Escritores Escritos (Editora Flâneur) acontecerá no dia 9/12, no Espaço Cultural Maurício Valansi, em Botafogo (Rua Martins Ferreira, 48), às 19h. A proposta do livro: cada autor deveria escolher um escritor estrangeiro, falecido, e usá-lo como personagem. O meu conto trata do retorno de Albert Camus à Argélia, depois da Guerra e de O estrangeiro publicado, para ver a mãe.
Dia de 18 de maio, terça, a partir das 19h, na Livraria da Conde.
Em Primos (Editora Record), estou ao lado de grandes escritores, como a lista do convite revela. Meu conto é sobre Massada. E mais não falo. Vejo vocês lá.
Para explicar o conceito do livro, convoco as organizadoras Adriana Armony e Tatiana Salem Levy:
“O projeto surgiu da necessidade de mostrar a riqueza e a diversidade dessa herança – da qual ainda se conhece pouco no Brasil –, e ao mesmo tempo pela proximidade entre duas culturas que, embora muitas vezes sejam vistas como opostas, tiveram berço semelhante. Numa época de conflitos territoriais que tendem à simplificação, queríamos criar um espaço onde essas culturas dialogassem e frutificassem.
Por outro lado, nos parece que já existe uma importante tradição literária brasileira que trata ou provém da imigração, e que nos diz bastante não só sobre as culturas de origem, mas também sobre o Brasil, um país tão multifacetado quanto antropofágico. E julgamos importante revelar e atualizar essa tradição. ”
O google – que não gosta de segredos -, revelou que meu conto Apenas eco, presente na antologia Contos sobre tela (org. Marcelo Moutinho, Pinakotheke Edições, 2005), foi base para uma tese de mestrado. O trabalho, de Marcelino Galdino (muito prazer, Marcelino, escreva-me), chamado Relações dialógicas entre o texto verbal e a obra pictórica (Mackenzie), parte do meu conto (sobre uma tela de Di Cavalcanti) e de um conto de Fabricio Carpinejar também presente no mesmo livro. São impressionantes 30 e tantas páginas sobre meu conto (que tem pouco mais de 5).
Já diriam os sábios: quando escrevem sobre uma obra literária um texto em tamanho maior, é hora de se preocupar…
Mas, enquanto isso, fiquei todo bobo e ganhei uma tarde.
Para quem quiser ler a tese, ei-la.
Participarei de um bate-papo com Marcelo Moutinho e Ondjaki na Moviola (Rua das Laranjeiras 280 loja C) no sábado, às 17h. Mediação de Miguel Conde.
Apareçam!
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Milan Kundera, um dos favoritos aqui de casa, completa 80 anos hoje. Talvez o maior escritor vivo do mundo (opiniao, cada um tem a sua).
Aproveitando a emeferide, alguns trechos do autor exatamente sobre “tempo” (meu teclado esta desconfigurado – perdoem a falta de acentuacao):
“Esse sorriso e esse gesto eram cheios de encanto, enquanto que o rosto e o corpo nao eram mais. Era um encanto de um gesto sufocado no nao-encanto do corpo. Mas a mulher, mesmo que soubesse que nao era mais bonita, esqueceu isso naquele momento. Por uma certa parte de nos mesmos, vivemos todos alem do tempo. Talvez so tomemos consciencia de nossa idade em certos momentos excepcionais, sendo, na maior parte do tempo, uns sem-idade.”
(A imortalidade, p.9-10)
“Quanto mais vasto o tempo que deixamos para tras, mais irressistivel e a voz que nos convida ao retorno. Essa frase parece evidente, e no entanto e falsa. O homem envelhece, seu fim se aproxima, os instantes se tornam cada vez mais preciosos e ele nao tem tempo a perder com suas lembrancas. E preciso entender o paradoxo matematico da nostalgia: ela e mais poderosa na primeira juventude, quando o volume de vida passada e inteiramente insignificante.”
(A ignorancia, p.64)
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Precisa a observação de Alcione Araújo no Globo de quinta-feira sobre a percepção de que as pessoas querem uma literatura de resultados. Como dramaturgo, ele também aponta para o fenômeno do teatro carioca atual montar basicamente comédias escrachadas e esquetes cômicos. Outro dia estava no jornal uma frase de uma atriz dizendo que o público só vai ao teatro hoje em dia para rir. E já que é assim, é hora de montar apenas comédias.
O cinema seria, generalizando, para se divertir e emocionar.
E os livros?
Livros passaram a ser meros objetos de aprendizado relâmpago. Como se isso fosse possível. A ficção só interessa quando tem um ensinamento de sabedoria de eremita (ou bruxo ou livreiro afegão) por trás.
É a setorização da arte. Ou a arte de resultados. Chama o Parreira…
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Um dos autores que conheci recentemente foi o português Pedro Paixão, do qual li Viver todos os dias cansa. Em seu site pessoal o autor postou um pequeno video de um programa de televisão americano em que o escritor russo Vladimir Nabokov fala sobre Lolita. Um crítico, que infelizmente não diz seu nome, mas que fuma sem parar, é perguntado sobre suas impressões sobre Lolita logo após Nabokov falar.
“You can’t trust creative writer to say what he has done. He can say what he meant to do. Even then you shouldn’t believe him.”
Nakokov sorri.
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De Luiz Ruffato, numa belíssima e sincera entrevista no Paiol Literário, transcrita no Rascunho de janeiro:
“Naquela época, eu era adolescente, malucão e tal, e não conseguia me adaptar. Então, todos os dias – era um colégio lindíssimo, um projeto do Niemeyer -, eu descia na hora do intervalo, para o recreio, e ficava encostado nas paredes, para ninguém me ver. (…) Numa dessas vezes, eu andando encostado pelas paredes, caí na biblioteca do colégio.”
Tem uma cena parecida no livro que estou escrevendo. Um menino que não consegue; um recreio; desejo de sumir; mas sem biblioteca redentora.

