De cabeça baixa


Pensando alto
fevereiro 24, 2008, 11:47 pm
Filed under: De cabeça baixa, Imprensa

Encontrei a Jaciara, assessora de imprensa da editora, sexta-feira depois do trabalho no Museu da República. O objetivo: fazer uma entrevista de divulgação do livro para o site da Guarda-chuva e para ela encaminhar junto com o restante do material que enviará para a imprensa. Muito mais do que uma entrevista, foi um papo. Mais ainda que um papo, quase um monólogo sem foco deste que escreve e que não está acostumado a responder sucintamente o que lhe é perguntado. Mas a Jaciara vai colocar tudo em termos mais palatáveis e com menos parênteses intermináveis.

Foi bastante interessante a conversa. Não li o resultado, mas de maneira geral achei diferente pensar sobre temas que na hora de escrever não são tão cristalinos assim. Claro que quando escrevi o livro tinha alguns elementos centrais que queria passar com o decorrer da história. Mas será que consegui?, será que são os mesmos que estão no papel impresso? O José Castello falou recentemente numa entrevista que, em sua opinião, o escritor começa a fracassar no momento que começa a escrever. O que está no papel (ou tela do computador), e depois impresso, nunca tem a genialidade do que pretendíamos contar e discutir.

Em certo momento, a Jaciara falou sobre a ironia presente no livro. Foi somente quando ela levantou essa questão que parei para pensar em como a ironia está embrenhada na relação entre o narrador e o personagem principal, e mesmo na maneira em como o Felipe pensa sobre si próprio, e em relação ao mundo.

Ainda é cedo para dar detalhes e exemplos desses casos, pois estaria basicamente pensando em voz alta, já que o livro ainda não está sendo lido.

Volto a esse tema futuramente.

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Nasceu
fevereiro 22, 2008, 1:10 pm
Filed under: De cabeça baixa

O João Emanuel, editor da Guarda-chuva, ligou para o meu celular no meio da tarde.

– Nasceu! Vou mandar entregar na sua casa.

 Dia 21 de fevereiro de 2008, quase dois anos depois do livro terminado. Gestação demorada, a ansiedade diluindo-se pelo caminho. Nasceu é a palavra apropriada mesmo. Todas as metáforas sobre gravidez e a espera pelo primeiro livro são acertadas. As provas que recebemos são os ultra-sons, os medos e as rezas para que a criança nasça com saúde e o livro sem erros (um x na quarta capa, por exemplo – piada interna para quem ler o livro lembrar).

Estava lá o livrinho, 26 deles, minha cota, dentro de uma sacola. Lindo, saudável. O formato 12x 18cm perfeito para a leitura, a fonte muito bem escolhida, o papel pólen ótimo, a impressão sem rasuras. Isso sem falar na bela capa da Mariana Newlands, da orelha perfeita do Marcelo Moutinho.

Mas foi estranho chegar em casa com a Bá e ver o livro, o tão esperado livro, numa semana tão triste. Parecia uma alegria imensa que não se deixava soltar. Ali está o esperado livro impresso, não mais folhas espalhadas pela casa em provas e versões, mas.

Falta pouco mais de um mês ainda. O lançamento será no dia 25 de março. A intenção é colocar De cabeça baixanas livrarias 10 dias antes. Por enquanto é um livro em segredo. Como um fetiche. Existe o livro, mas ele ainda não está sendo lido. Parece um prenúncio, o silêncio que precede a explosão.

Hoje vim para o trabalho lendo o meu livro. Em pé no metrô, depois sentado no ônibus, avançando na trama com medo. Eu conheço as palavras, os pontos finais, vírgulas, os desfechos, o início, as personagens. Mas mesmo assim caminho incerto. Cada página virada ainda esconde um receio, pavor. Mas poderia ter cortado aquela palavrinha, aqui cabia um parágrafo, por que não um sinônimo? Mas por enquanto nada. O livro quase autônomo, distante. Difícil de explicar. Fechando os olhos e fazendo força, quase posso falar palavra por palavra daquelas 186 páginas. Mas nenhuma delas me pertence mais. Já são do mundo, do papel, de quem o ler.

De vocês, suponho.