De cabeça baixa


Compre online
julho 25, 2008, 10:40 am
Filed under: De cabeça baixa

Para quem não está achando o romance nas livrarias perto de casa, uma alternativa é comprar online. Alguma lojas estão até oferecendo desconto.

Compre online (preços de 25.7.2008):

Submarino (R$ 18,90)

Melhoramentos (R$ 19,60)

Travessa (R$ 23,90)

Cultura (R$ 23,90)

Saraiva (R$ 23,90)

Siciliano (R$ 23,90)

Companhia do Livro (R$ 23,90)

Martins Fontes Paulista (R$ 23,90)

Americanas (R$ 27,90)

 



São Paulo
julho 25, 2008, 10:18 am
Filed under: De cabeça baixa, Eventos

Eu falava do trânsito de São Paulo antes. Depois, só o que posso falar sobre o assunto é que o metrô de lá deixa o de cá com as bochechas rosadas de vergonha. Estação dentro da rodoviária, composição que passa de minuto a minuto, linhas que se cruzam e facilitam sua vida. O trânsito de São Paulo não existiu na minha quarta ida a cidade no mesmo número de anos. Sempre para uma noite só, que esse de cá não sabe ficar longe de casa.

O metrô me jogou cedo no Pacaembu, mas, lá como cá, os policiais não sabem dar informação. Andei para o lado errado. Nada nem remotamente familiar ao mapa que tinha imprimido. Mas uma moça salvadora, educada, que até ligou do celular para outra pessoa para conferir a direção a sugerir, me ensinou o caminho de casa, Lopes Chaves, Mario de Andrade.

Lá o André. E papo na calçada. Lá o debate, bacana, que pode ser ouvido aqui, lido aqui. Eu sem óculos para falar, claro, falo pelos olhos, rostos sem foco me tiram minimamente a vergonha de estar ali, sentado do outro lado. Miguel Sanches Neto e Luis Eduardo Matta no décimo nono livro cada um, outros no prelo, projetos em andamento. Eu e meu único livrinho, e agora o segundo que se mostra tímido nas 70 páginas já escritas, que me enreda numa família que agora toma foco sem precisar de óculos.

Depois da palestra andar a pé na rua. Chopes. Papo. Gustavo contando que assistir um jogo do Juventus no estádio é a experiência, que o Museu da Língua Portuguesa é o museu, quem sabe vontade de voltar em breve, quem sabe ter ficado uma noite a mais e ir ao jogo do Flamengo no Canindé, em frente a rodoviária. Ainda bem que não.  Ver aquilo ao vivo estragaria a viagem.

Volto ao Rio, parto para Brasília. Mas só no início de setembro. Feira do Livro. Até lá trabalho. Meu livro me chamando…



Encontros de Literatura
julho 21, 2008, 7:03 pm
Filed under: De cabeça baixa, Eventos

Amanhã na hora do almoço pego o ônibus para SP, e da rodoviária do Tiete direto para a Casa Mário de Andrade. O evento começa às 20h e espero chegar no local bem antes. Já me ensinaram como chegar via metrô pois o trânsito de SP me mete tanto medo quanto as balas perdidas do Rio para quem é do resto do país. As duas existem, mas tentamos driblá-la com mais habilidade que um certo atacante sem sangue que agora é titular do Flamengo.

Debaterei com Miguel Sanches Neto e Luiz Eduardo Matta. Não sei nem se o Miguel sabe (não o conheço pessoalmente), mas fui eu que escrevi a orelha do último romance dele, A primeira mulher. A orientação era simplesmente fazer um resumo da história sem literatices. Acho que saiu a contento.

Segue o serviço do debate. Quem for de SP e puder comparecer…

Qual é a literatura que se pratica no Brasil, desde os anos 2000, com a chegada da internet no País? Quem são os principais autores dessa safra e quais os seus livros? Além da ligação, mais ou menos intensa, com o Web, qual outra característica permeia sua produção? Como esses autores dialogam com a tradição da literatura brasileira? Como surgiram, como divulgaram seus trabalhos e como viabilizam sua escrita hoje? Como é, afinal, ser autor agora?

Terça-feira, 22/7, às 20 hs. — “Romance”Miguel Sanches Neto: escritor paranaense e crítico literário, autor de Chove sobre minha infância, Herdando uma biblioteca e A primeira mulher;
Flávio Izhaki: autor de De cabeça baixa (pela Editora Guarda-Chuva), considerado pelo jornal O Globo como sua aposta literária na nova geração de autores nacionais;
Luis Eduardo Matta: autor de 120 Horas (editora Planeta) e Morte no Colégio (retomando a Série Vaga-Lume), criador do manifesto pela Literatura Popular Brasileira (LPB).

 

Casa Mário de Andrade — Rua Lopes Chaves, nº 546 — Pacaembu — 22, 23, 24 e 25 de julho de 2008 — A partir das 20hs. — Grátis — Sempre com mediação do Editor do Digestivo Cultural — Inscrições: 11 3666-5803 ou pelo e-mail.



Rascunho
julho 14, 2008, 12:30 pm
Filed under: De cabeça baixa, Imprensa

Saiu uma resenha do livro no Rascunho deste mês (adicionei o texto em Imprensa). O texto é bem peculiar. O resenhista, Márcio Renato dos Santos, optou por analisar menos o livro e pensar mais sobre ele. Confuso? Um pouco. Ele conta a história do romance, mas alterna a descrição com trechos opinativos sobre os Felipes Laranjeiras da Curitiba atual – cidade do resenhista e em que o personagem do romance se auto-exila. É mais uma intervenção do que uma resenha: falo isso como elogio. Afinal exigiu mais labor criativo do que um simples texto crítico.

Aproveitando a resenha do Rascunho, tenho achado curioso essa fratura de entendimento entre as pessoas do meio literário (escritores e afins) e leitores comuns. Os escritores parecem cair sempre para o lado da história que é cruel com os geniozinhos literários; as demais pessoas parecem entrar mais na coisa do relacionamento dele com o mundo (mulheres, cidades, pressão sobre o futuro).

Pode ser apenas uma impressão, mas é interessante pensar sobre o assunto…



Impressões sobre a Flip
julho 11, 2008, 12:01 am
Filed under: Eventos, Mercado editorial

Como prometido, algumas impressões sobre a Flip:

Os convidados estrangeiros:

Achei o nível dos convidados estrangeiros excelente. Não tem Oz, Pamuk, Coetzee, McEwan, Auster dessa vez? Uma pena. Por que não trazem Roth, Kundera, Márquez, Vargas Llosa? Não é por falta de tentativa, com certeza. Os nomes que passaram por aqui me pareceram ecléticos e bem interessantes. Muitos deles com um ou nenhum livro lançado no Brasil. Ou seja, a Flip continua tornando “possível” que bons autores antes desconhecidos no Brasil sejam lançados aqui. Nathan Englander, Martin Kohan e Cees Nootebom parecem bons exemplos disso. Stoppard, Lucrécia Martel e Gaiman, cada um em sua área, nomões, também deram categoria à festa.

Os convidados brasileiros:

Muito bom. Achei que faltou um pouco de literatura na seleção. Os autores de ficção acabaram confinados na mesa de novos – Laub e Lunardi deveriam formar uma outra mesa, na minha opinião – e nas mesas de homenagem ao Machado, além do Noll, a grande estrela nacional desta edição. É pouca gente para muitas mesas. Portanto, esse muito bom vai para a questão da quantidade, não da qualidade.

O formato:

Engessado, engessadíssimo. Os debates têm uma hora e quinze de duração. Esse quinze pode tirar fora pelos atrasos. Cada autor lê um trecho. Embora o Modesto Carone tenha citado que a organização oriente que o trecho não passe de 7 minutos, a maioria desrespeita isso. Colocando 10 minutos de leitura, numa mesa de 3, vão meia hora, metade do tempo real de “debate”. Em alguns casos, como na mesa 1, de quatro pessoas, cada convidado respondeu apenas duas perguntas do mediador/ platéia. Pouco, muito pouco, quase nada. Acho que a questão da leitura deveria ser repensada, e principalmente restringir a dois, no máximo três os convidados por mesa.

Os mediadores:

Minha questão com os mediadores é a seguinte: eles deveriam levantar bolas para os convidados cortarem. Mas parecem que vão tão preparados, e são tão cabeçudos, que levantam e cortam. Vi pouquíssimas perguntas de mediadores. A maioria eram teses, muitas delas interessantes, mas que eram começo, meio e fim de pensamento. Restava para o pobre escritor divagar sobre o tema sem rede de proteção ou fazer como um deles, acho que Kohan, que respondeu: sim. Faltou também aos mediadores uma conversa anterior com os convidados para que um interferisse na fala do outro, retomasse pontos já discutidos, discordasse. É assim em todos os debates que conheço. Mediador bom é como bom árbitro de futebol, já dizia Arnaldo César Coelho: se ele não aparecer em campo é que a coisa andou bem.

Outros temas:

Se a idéia é ecletismo, por que não mesas sobre o processo editorial? Eu adoraria ver uma mesa com os grandes editores. Ou com os melhores tradutores falando da experiência de traduzir os melhores livros e autores, capistas, quem sabe. Não faltam temas.

Repetição de convidados:

A Flip começa a repetir alguns nomes, mas poderia ousar mais na próxima edição. Parece que ainda paira no ar uma idéia que repetir um autor, ainda mais de literatura nacional, seria dar atestado de que o modelo começa a se esgotar. Discordo. Repetir, sim, por que não? Livros depois um autor poderia voltar. Sem dúvida teria o que falar.



O novo autor
julho 10, 2008, 3:18 pm
Filed under: De cabeça baixa, Imprensa

Nas últimas duas terças saíram matérias sobre novos autores em que fui citado. A abordagem era diferente. No Globo a pauta era como fazer para publicar o primeiro livro, que caminhos tomar, qual o momento de procurar uma editora etc. Fui ouvido (junto com a Simone Campos e alguns editores) como uma voz que conseguiu passar pela peneira.

Mas que dicas eu poderia dar para alguém que está começando agora? As mesmas de sempre, para falar a verdade: ler absurdamente, clássicos e novos, para saber o que já se escreveu e o que está escrevendo, escrever continuamente, sempre deixando o texto descansar para depois retomar e julgar, mostrar para outros escritores mais experientes e pedir opinião, e tentar fazer uma rede de colegas mais ou menos da mesma faixa etária para trocar textos e opiniões.

Dicas que todo mundo já sabe, mas não custa repetir.

O que não acredito: autopromoção deslavada, inscrição em qualquer concurso (são pouquíssimos os que realmente fazem diferença – uma dica é tentar saber o nível dos jurados), querer aparecer de uma hora para outra, publicar por publicar achando que é só o livro sair impresso que todo mundo descobrirá o gênio escondido e incompreendido.

O que achei mito na matéria: a necessidade de agentes literários para o livro ser publicado. Um dos garotos entrevistados fala que só assim é possível ser editado. Aqui no Brasil? Mito. Pouquíssimos autores têm agentes. A questão para publicar é a velha e boa qualidade, talvez com uma pitada de conhecimento de mercado – não adianta que seu primeiro livro não será editado pela Companhia das Letras, que nunca lança o primeiro livro de autor algum.

Já a matéria que saiu na terça no JB (leia aqui) falava sobre os autores “novos”, já publicados, que estavam em Paraty para a Flip. Eram oito autores na matéria, oito pessoas que conseguiram esgueirar-se e furar essa peneira para a publicação. Confesso que só conhecia o trabalho de três deles, todos altamente recomendáveis, mas para quem quer ler o que está se publicando hoje, vale anotar o nome de cada um e correr atrás dos livros.

*

Escrevo minhas impressões sobre a Flip amanhã…