De cabeça baixa


Prosas Cariocas, Granta, Lettrétage
julho 9, 2012, 7:19 pm
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Há oito anos, Marcelo Moutinho e eu organizamos uma antologia chamada Prosas Cariocas. Escolhemos 16 autores para escrever contos sobre os bairros do Rio. Na época, grande parte dos autores tinha menos (ou bem menos) de 30 anos e no máximo dois livros individuais publicados. A maioria, no entanto, era inédita.

 

A divulgação de duas listas recentes – Granta e Lettrétage – me fez perceber que seis daqueles autores do Prosas estão em uma das coletâneas (J.P Cuenca e Vinicius Jatobá na primeira e Mariel Reis, Cecilia Gianetti, Antonia Pellegrino e eu, na segunda). Não cabe aqui juízo de valor ou qualidade literária. Vale apenas a menção para um norte que uma seleção realizada em 2004 nos mostra em 2012.

 

Ainda naquela turma do Prosas estão Adriana Lisboa (hoje premiadíssima e que na época tinha publicado dois romances), o próprio Marcelo Moutinho (que teve seu mais recente livro selecionado entre os finalistas do Portugal Telecom), Henrique Rodrigues (poeta publicado e autor de diversos livros infantis) e Miguel Conde (jornalista e curador da Flip – o cacula da turma – na ocasião ainda universitario, se nao estou enganado).

 

Caso adicione o livro Paralelos, do mesmo ano e com nomes repetidos, juntam-se a esse grupo Tatiana Salem Levy (na Granta) e Paloma Vidal (Lettrétage).

 

Uma panela desde então, poderão dizer os mais raivosos. Como estão enganados! Grande parte dos citados nada têm em comum literariamente ou mesmo em termos de convívio social. Muitos nem se falam, alguns se odeiam.

 

E em tempo, vale muito o que disse Jennifer Egan na Flip, ao ser perguntada sobre o Nobel (e outros prêmios literários). Ela, que ganhou o Pullitzer, respondeu:

 

“Conta muito a sorte, os jurados daquele ano [ou concurso] gostarem do seu livro, do que escreveu.”

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Mudanças no blog
setembro 11, 2008, 4:28 pm
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Eu sou um incopetente virtual, mas tentei fazer umas mudanças no blog para poder instalar esse dispositivo chamado feed. Dizem que se você assinar meu blog, você vai receber uma notificação toda vez que eu colocar algo novo.

Será?

Esperto que dê certo. Mas tenho impressão que muita gente que entende da coisa deve estar rindo de mim agora.



Literatura livre
abril 22, 2008, 1:02 pm
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O site Literatura livre publicou uma resenha do livro na última sexta-feira, 18.4.2008. Segue o texto:

É muito comum em romances o protagonista ser uma pessoa ligada à área de Letras, seja como escritor, seja como professor ou outra função (profissão) afim. No livro de estréia de Flávio Izhaki não é diferente, mas a novidade é que o leitor encontrará três livros em um só: o romance em si, o romance escrito pelo protagonista e as anotações que uma leitora qualificada faz sobre este último romance. E esses três textos vão se relacionando ao longo do livro “De cabeça baixa”.

    O romance principal (vamos chamar assim) é a estória de Felipe, um escritor estreante e professor de literatura (autor do romance Desencanto). O narrador, em terceira pessoa, conta que, depois da repercussão do seu livro de estréia, que não foi muito boa (para usar de eufemismo), Felipe deixa a cidade do Rio de Janeiro e se muda para Curitiba. Depois de cinco anos do lançamento do seu romance, por esses acasos do destino, um dia acaba entrando em um sebo (em verdade, um lugar para se abrigar da chuva curitibana) e lá encontra um exemplar de seu romance, repleto de comentários de uma leitora, que virá a saber ser Ana Maria. Essa descoberta casual tem forte impacto em sua vida, e o leva de volta ao Rio para procurar Ana Maria.

    Essa narrativa, cujo enredo é bastante interessante, desenvolve-se com diversas marcas, tais com mistura de sensações: “Virou à direita, nada nem remotamente familiar, a cidade ainda lhe negando intimidades, depois à esquerda, mais chuva” (p. 3); “Os mesmos [livros] que folheara há dez, vinte anos, quando entrara pela primeira vez em um desses santuários de sabedoria, poeira e ácaros [sebo]” (p. 4); “Novamente sem roupa, entrou no banho para, com água gelada, inodora, enxugar seus líquidos expelidos, seus desencantos verdadeiros, completos, e não aquele outro, mal formulado em uma historieta que Ana Maria desancara com letra cursiva” (p. 21); “Sem tocar nela, testava contornos, imaginava fronteiras, provava sentimentos inexatos. Mas nunca durava muito, paliativo de segundo, parágrafo” (p. 47); “chuva que molha meu livro, mancha com pingos grossos as minhas perguntas, impossibilita as respostas” (p. 79). Além disso, sensações que o próprio texto faz o leitor sentir, como, por exemplo, o caminhar rápido em dia de chuva em um centro urbano: “Alguém bateu no seu ombro, Felipe assustou-se e desequilibrou-se entre dois passos premeditados para evitar poças. Um vendedor de guarda-chuvas: ´Cinco reais, quer, piá?´ Não queria, quase xingou. Com as duas mãos, fechou com mais força o casaco. Teve medo de que o livro, seu livro, estivesse molhado. Queria chegar logo ao apartamento para ler as anotações, de quem seriam?, ligar para alguém e contar, quem?, tomar um banho e um café bem forte” (p. 10); ou, ainda, toda a completude de uma cena em um único parágrafo: “Clara ligou e disse que precisavam conversar urgentemente. Ele respondeu que não, agora não podia, sua urgência era outra, não ela, e Clara entendeu, porque ela sempre entendia, ele era o outro, mas o outro, no caso dos dois, tinha seus privilégios” (p. 25).

    Alguns trechos são narrados com riqueza de detalhes, demonstrando uma observação de cenas cotidianas apurada do autor, cenas essas que muitas vezes nos passam despercebidas: “Ficou quase um hora sentado no banco de concreto. Alternava o olhar entre a janela – sempre fechada – e o escorrega do parquinho. Crianças desciam do brinquedo, subiam, desciam, as babás preocupadas correndo atrás das menores, as babás cada vez mais velhas e gordas, quinta, sexta geração que passa pelas mãos delas. As crianças pequenas e suas cabeças desproporcionais ao corpo, correndo tortas e sem direção, como formigas assustadas depois que o seu rastro foi perturbado pela mão do homem” (p. 73). Já outras cenas, narradas em detalhes, causam-nos identificação, ao menos por já termos vivido a mesma experiência: “A grade fez um estalido e se abriu. Felipe empurrou o portão fazendo força. Primeiro fraquejou, a porta quase fechou, era pesada demais, ele não imaginava um portão com aquele peso” (p. 115); “Tentou pôr ordem naquela bagunça. Não eram muitas páginas, 45, 40 talvez, mas pareciam mais, quando juntas ou espalhadas. Bateu as folhas na mesa, repetindo o gesto inicial, tentando arrumar o calhamaço como um caderno. Cumprida essa tarefa, folheou as páginas em busca de numeração e não encontrou. Olhando rapidamente, via apenas Felipe, Marcelo e Mariana pipocando pelo texto” (p. 134).

    Outros trechos são muito bem construídos, que merecem destaque, denunciando o cuidado do autor com o seu texto: “Morar sozinho era eternizar o momento em que ele tocava nas coisas pela última vez. Um livro centímetros fora do lugar seria um livro centímetros fora do lugar até que ele, somente ele, cutucasse o objeto para o local apropriado. As louças não se lavariam sozinhas, a lixeira continuaria a encher até transbordar, a televisão ficaria falando, se esgoelando em companhia do princípio de sono, sonho” (p.37 – quem já morou sozinho sabe, exatamente, o que é isso); “Caminhar na rua das Laranjeiras era dançar, um desvio constante dos camelôs, mendigos, buracos na calçada, carros estacionados” (p. 67).

    Ainda com relação às características da redação, o livro “De cabeça baixa” desenvolve-se, muitas vezes, fazendo ligações entre os capítulos e entre o tempo passado e o presente, como ocorre com o café a ser coado (p. 16) e o café coado em outra situação (p. 18); o pagamento ao frentista, de uma situação, e a saída do posto de combustível com o tranque cheio de outra situação (primeiro e segundo parágrafos da página 55); e iniciar o dia na data do lançamento do livro do protagonista (p. 29) e encerrar esse mesmo dia, cinco anos depois, com ele deitado na sala, luz apagada, assistindo à televisão (p. 31).

    Felipe, o protagonista, é um jovem, entre seus 20 e 30 anos, e seu livro – Desencanto – reflete “uma amargura juvenil” (p. 19); o mesmo acontece com o livro de Flávio Izhaki – “De cabeça baixa”: a personagem principal é um jovem, vamos dizer, “engajado”: aprecia Chico Buarque (p. 56), assiste a filmes de Woody Allen (p. 57), nas salas de cinema Unibanco (p. 64), e se preocupa com “os pobres coitados” da classe baixa ou da classe média (p. 69 e 71). Ao mesmo tempo em que mantém uma conduta usual, porém, politicamente incorreta, como largar um saco plástico no chão da rua (p. 11) e arrancar a página da lista telefônica do hotel em que está hospedado (p. 107). E os seus conflitos juvenis, embora não sejam a questão principal do texto, refletem-se, como não poderia deixar de ser, no desenvolvimento do romance (por exemplo, p. 71).

    A questão principal do texto, por outro lado, é de receptividade mais ampla: “De cabeça baixa” apresenta uma personagem marcada pela idéia do fracasso, da inércia (daí, o título do livro, conforme deixa claro a frase inicial da página 103). O autor principal (vamos dizer assim) apresenta uma figura interessante com relação a isso: “era a inércia e ele, um casal” (p. 23); “sentia uma força que nunca tivera, que vencia com espasmos sua inércia plácida, namorada no Rio e esposa em Curitiba (p. 26-27) – contanto tenha (infelizmente), abandado essa imagem de “casal”, de maneira muito pontual (felizmente), ao comparar a inércia a uma bebida (p. 24).

    Esse fracasso teve por estopim, e tão-somente por estopim, a receptividade do livro de Felipe: “Desencanto fora premonição do fracasso que se seguiu, não literalmente, mas na sua incapacidade de agir ou reagir. Restara apenas a fuga, impositiva, punitiva, e, desde então, jamais parar de correr, mesmo assentado em Curitiba” (p. 9). Fracasso que se identificava com a inércia em que vivia, e sempre havia vivido: “A sua vida sempre fora mais de nãos do que de sins até aquele momento. Vida em aguardo, eterno compasso de espera, pausa entre uma coisa e outra” (p. 45).

    Assim como acontece no seu romance (Desencanto), Felipe, ao encontrar seu livro todo rabiscado no sebo em Curitiba, por “coincidência, acaso ou sinal” (p.45), tem a primeira “virada” em sua vida, e sente uma força que o retira daquela inércia e o leva à ação. E a ação é encontrar Ana Maria, a pessoa que comentou o seu livro, e, junto com ela, encontrar respostas (se bem que o autor comenta com todas as letras: “De algum modo, o livro já cumprira seu objetivo inicial, reconduzir Felipe à vida que estacara cinco anos antes. E essa vida era no Rio” – p. 59). Nessa sua empreitada, Felipe começa a viver cenas do seu próprio livro (não se acomodar – p. 12 e 46; procurar a ex-namorada no Rio – 94 e 98). Felipe, dessa vez, decide não “fugir como sempre” (p. 90), e vai em busca da sua “salvadora” (p. 27) – ou de seu carrasco.

    Uma idéia quase inevitável que desponta da leitura do livro de estréia de Flávio Izhaki é algo como se seria, o seu romance, “reminiscências do futuro”, no sentido de o romance de Felipe (criatura) ser uma prévia e uma profecia do que viria a se tornar o romance do próprio Flávio Izhaki (criador): “No Rio, era jovem, promissor, querido, e tudo lhe soava falso” (p. 23); “[Felipe] Interpretava seu próprio papel, um escritor jovem, promissor, querido, que lançava o primeiro livro” (p. 29); ou, ainda, nas palavras da única resenha que o livro Desencanto, do protagonista de “De cabeça baixa” (confuso ?!?!), recebeu: “Quiçá esse sabor seja o desencanto do público e da crítica por um escritor que prometeu – ou prometeram por ele? – e não cumpriu” (p. 54).

    Definitivamente, Flávio é diferente de Felipe, e a resenha do romance deste último não pode ser aplicada ao daquele. Em primeiro lugar, Flávio tem criatividade, conforme demonstra o enredo do seu romance; tem, também, uma redação agradável, envolvente, tendo alguns pontos sido destacados acima; por fim, tem discernimento para desenvolver uma estória, sabendo dosar a realidade e a ficção, bem como a fantasia: o final de “De cabeça baixa” é bastante factível (talvez mesmo terreno demais!). Se alguma coisa há para evoluir, é plenamente natural, por se tratar de romance de estréia e devido à juventude do autor.



Literalmente
abril 18, 2008, 1:03 pm
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Saíram as vencedoras da promoção do Portal Literal. Meu desejo foi atendido. As duas pessoas que levaram moram em cidades em que o livro não está sendo vendido (em livraria, pelo menos): Fortaleza e São Bernardo do Campo.

Claro que sempre resta a opção de comprar pela internet: Saraiva e Travessa.



Livrarias fora do Rio
março 30, 2008, 3:03 pm
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Segue uma lista de livrarias fora do Rio onde o livro pode ser comprado. A maioria é em SP. Quem souber a localização das livrarias (bairro, cidade) e quiser me passar, agradeço. Fico devendo a lista das livrarias de MG e de eventuais pontos-de-venda em outros estados. Lembrando que a Saraiva Online tem o livro.

 São Paulo

Nobel -Shopping Penha

FNAC

Nobel-Frei Caneca

Edusp – todas as lojas

Laselva

Banca Amauri

Basilivros

Casa de Livros

Book Stop Livraria

Nobel – Shopping Moto Aventura

Casa do Psicólogo Livraria e Editora Ltda

Nobel – Mooca

Central Livros Técnicos

Livrria da Vila

Cosmopolita

Livraria da Vila – Casa do Saber

Livraria Cultura – Market Place

Editora Vozes – toda as lojas

Martins Fontes Paulista

Nobel – Shopping Tatuapé

Martins Editora e Livraria

Unicamp

Livraria Boa Vista

Livraria Horizonte

Livraria Cortez

Livraria Loyola – 3 lojas

Nobel – Barão do Triunfo

Livraria Médica Paulista

Livraria Ana Costa

Livraria e Papelaria Sílvio Romero

Livraria Millenium

Livraria Pontes

Livro Aberto

Livro Som Livros Ltda

Cia de Leitura

Espaço Cultura Ícone

Nobel – Shopping Center 3

Nobel – Augusta

Nobel -Litoral Plaza

Nobel – Praia Grande

Nobel – Vila Mascote

Nobel-Butantã

Entrelivros

Livraria Visc. De Cairu

Distrito Federal

Livraria Cultura Brasília

Rio Grande do Sul

Livraria Cultura Porto Alegre

Pernambuco

Livraria Cultura Recife



Gente boa
março 25, 2008, 12:51 pm
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Hoje, dia do lançamento, saiu uma notinha sobre o trailer na coluna Gente Boa, de O Globo, com direito a foto de um frame do filminho. Para assinantes. Depois coloco a notinha na seção de Imprensa.

Hoje gravo aquela entrevista para a Rádio Cultura FM de Porto Alegre que comentei na semana passada. Ainda não sei que dia irá ao ar.

E à noite, o lançamento. Começa 20h, mas deve durar um tempinho. É um bom horário  para quem vai direto do trabalho e para quem quer passar em casa primeiro. Lembrando que a Argumento fica na Dias Ferreira 417, Leblon.

Até lá.



Na hora do BBB
março 19, 2008, 12:34 pm
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A concorrência era desleal. Perdôo quem não pode escutar ao vivo a matéria na CBN. Mas quem quiser pode ouvir agora.