De cabeça baixa


Fotos de SP
agosto 28, 2008, 4:24 pm
Filed under: Casa Mário de Andrade, De cabeça baixa, Eventos, Fotos

Com bastante atraso publico aqui as fotos do debate na Casa Mário de Andrade, em São Paulo. Lembrando que o áudio da mesa pode ser escutado no site do Digestivo Cultural.

Eu devia estar falando algo muito complexo. Reparem na mão no queixo do Miguel e do Julio.

Eu juro que tinha casaco na mochila.



Feira do Livro de Brasília
agosto 26, 2008, 12:25 pm
Filed under: De cabeça baixa, Eventos, Feira do Livro de Brasília

No dia 6 de setembro participarei de uma mesa na Feira do Livro de Brasília. Na programação alguns nomes bem interessantes, como Martin Kohan, argentino que esteve na Flip e foi muito bem, José Luis Peixoto, Marcio Souza, Francisco Viegas, entre outros. A programação completa está aqui.

Meu debate será no sábado, das 18h30 as 20h30, com o vencedor do Prêmio José Mindlin, Walther Moreira, de quem ainda não conheço a obra, mas que parece que é um papa-prêmio de mão cheia. O tema: geração 2000: para onde vai a literatura brasileira.

Quem for de Brasília, apareça!



Uma orelha e seus monstros
agosto 25, 2008, 2:46 am
Filed under: André de Leones, orelha

Passei quase dois anos na Record e neste período uma das minhas funções frequentes era escrever orelha de livros. Nunca contei, mas acho que foram mais de 20. Algumas que tenho certo carinho pessoal, por participar de livros de escritores que admiro bastante. A do livro do Cristovão Tezza, O filho eterno, por exemplo. Foi delicado achar o exato equilíbrio entre contar e não contar a história do livro, até para a orelha não apresentar o romance de maneira diferente do tratamento do autor. Outra orelha que fiz e gostei bastante foi do José Luís Peixoto, Cemitério de pianos. Quando o conheci, na última Flip, fiz questão de contar para ele e mostrar meu livro, que, aliás, tem uma frase de seu romance anterior publicado no Brasil, Nenhum olhar, como epígrafe.

Saindo da Record achei que meu tempo de orelhista estava terminados, mas o André de Leones pediu que eu escrevesse a orelha do novo livro dele, Paz na terra entre os monstros. Desta vez, assinando. Foi um prazer e um desafio. Prazer pois o André é um dos autores da minha faixa etária que mais acredito. E participei diretamente no processo de edição deste livro, conversando com ele, dando opiniões, sugestões, então, quando ele me convidou para fazer a orelha, um dos motivos que ele deu – o decisivo, creio, pois ele poderia pedir para autores bem mais gabaritados do que eu – foi que eu era a pessoa que mais conhecia o livro depois dele.

Escrever a orelha de um livro que se conhece intimamente, e o autor também, não é tão fácil quanto parece. Senti a pressão. Na Record fazia isso em algumas horas. No livro do André demorei um mês. Queria achar o tom mais próximo do estilo do André de fazer literatura. Um texto careta não servia. Tinha de cair para a visceralidade, mas sem perder o gosto azedo de não pertencimento, o gosto que a literatura dele deixa na boca.

Na última semana mandei o texto para ele, que aprovou. Está agora com a editora, e em novembro o livro chega nas livrarias.

Foi um prazer, André, obrigado.



Quem conta um conto
agosto 11, 2008, 7:09 pm
Filed under: Conto, De cabeça baixa, literatura

No debate em São Paulo, ao contar como tem sido minha trajetória literária, falei que apesar de ter participado de três coletâneas de contos, não me sentia totalmente à vontade ao escrever histórias curtas. Talvez a frase seja forte demais, mas tem sentido para mim.

Prefiro trabalhar desenrolando um novelo de questões do que debruçar sobre a epifania. Não vai aqui nenhum juízo de valor, apenas questão de habilidade narrativa. O irônico é que alguns trechos do meu romance podem ser lidos quase como contos isolados.

 

Acho que tinha mais de um ano que não escrevia um conto. Estou concentrado no romance e é difícil trocar uma história por uma idéia. Ainda mais quando a idéia não vinha. E precisava vir, pois fui convidado para participar de uma coletânea há três meses e estava angustiado com isso.

 

E então a idéia veio, não como uma idéia, mas um tema que queria abordar faz um tempo. O interessante foi que na hora que comecei a escrever, ou antes, ou no mesmo momento, muitas vezes não consigo precisar isso, soube que precisa contar aquilo de um determinado jeito para seduzir o leitor.

 

Escrevi; mas o conto não está pronto. Deixarei descansar por alguns dias, talvez semanas. Ainda estou dentro do prazo da coletânea. Falta aprofundar algumas questões, melhorar trechos, polir, cortar para depois esticar. Falta muito, quase tudo, mas saí do zero.