De cabeça baixa


Literatura de resultados
fevereiro 13, 2009, 1:49 pm
Filed under: literatura

Precisa a observação de Alcione Araújo no Globo de quinta-feira sobre a percepção de que as pessoas querem uma literatura de resultados. Como dramaturgo, ele também aponta para o fenômeno do teatro carioca atual montar basicamente comédias escrachadas e esquetes cômicos. Outro dia estava no jornal uma frase de uma atriz dizendo que o público só vai ao teatro hoje em dia para rir. E já que é assim, é hora de montar apenas comédias.

O cinema seria, generalizando, para se divertir e emocionar.

E os livros? 

Livros passaram a ser meros objetos de aprendizado relâmpago. Como se isso fosse possível. A ficção só interessa quando tem um ensinamento de sabedoria de eremita (ou bruxo ou livreiro afegão) por trás.

 

É a setorização da arte. Ou a arte de resultados. Chama o Parreira…



Nabokov sorri
fevereiro 5, 2009, 4:34 pm
Filed under: literatura

Um dos autores que conheci recentemente foi o português Pedro Paixão, do qual li Viver todos os dias cansa. Em seu site pessoal o autor postou um pequeno video de um programa de televisão americano em que o escritor russo Vladimir Nabokov fala sobre Lolita. Um crítico, que infelizmente não diz seu nome, mas que fuma sem parar, é perguntado sobre suas impressões sobre Lolita logo após Nabokov falar.

“You can’t trust creative writer to say what he has done. He can say what he meant to do. Even then you shouldn’t believe him.”

Nakokov sorri.



Parede
fevereiro 5, 2009, 4:07 pm
Filed under: literatura

De Luiz Ruffato, numa belíssima e sincera entrevista no Paiol Literário, transcrita no Rascunho de janeiro:

“Naquela época, eu era adolescente, malucão e tal, e não conseguia me adaptar. Então, todos os dias – era um colégio lindíssimo, um projeto do Niemeyer -, eu descia na hora do intervalo, para o recreio, e ficava encostado nas paredes, para ninguém me ver. (…) Numa dessas vezes, eu andando encostado pelas paredes, caí na biblioteca do colégio.”

Tem uma cena parecida no livro que estou escrevendo. Um menino que não consegue; um recreio; desejo de sumir; mas sem biblioteca redentora.