De cabeça baixa


Resenha no Valor Econômico
março 28, 2008, 1:16 pm
Filed under: De cabeça baixa, Imprensa

Saiu uma resenha bem generosa na edição desta sexta do Valor Econômico, dentro do suplemento “Eu & Fim de semana”. A matéria ocupa quase uma página inteira, excetuando um quadrinho com a lista dos mais vendidos, e tem direito a foto e dois trechos. Segue a matéria abaixo (assinantes podem ler aqui).

Um bravo representante da nova geração

O carioca Flávio Izhaki estréia com romance bem escrito sobre as agruras de um autor fracassado

Um pouco como o escritor catalão Enrique Vila-Matas, o jovem brasileiro Flávio Izhaki faz da própria atividade literária seu tema neste primeiro romance, que traz também entre os ingredientes amor, um toque de mistério e, principalmente, a realidade da solidão nas grandes cidades, no caso o Rio, cidade natal do autor e do protagonista do livro, Felipe, e Curitiba, “exílio” deste.

A história, muito bem escrita e amarrada, é a de um jovem professor de literatura e romancista estreante, cujo livro, “Desencanto”, não obtém sucesso, apenas uma resenha negativa. A depressão vem e, com ela, a vontade de sumir, o que Felipe faz mudando-se do Rio para Curitiba. Lá, ao visitar um sebo, depara com um exemplar do seu livro cheio de anotações críticas nas margens, o que o leva a uma busca pela pessoa que o vendeu ao sebo e o faz repensar a própria trajetória de escritor.

O mais intrigante: trata-se de alguém que foi ao lançamento, cinco anos antes, já que o exemplar contém seu autógrafo e a dedicatória de uma tala Ana Maria. O uso da metalinguagem é constante. O enredo de “Desencanto” se intercala com o da própria trama e, ainda, com um terceiro, que aparece depois, usando o protagonista do primeiro como personagem.

Mas cumpre apresentar o escritor. Flávio Izhaki nasceu em 1979 no Rio e já participou de várias antologias, como “Paralelos – 17 contos da nova literatura brasileira” (Agir, 2004), e revistas. Não por acaso – e este romance o comprova -, umjúri convocado recentemente pelo jornal “O Globo” o apontou como aposta literária da nova geração.

 Trechos

Perplexidade

“Mas o que ‘Desencanto’, seu livro, sua teoria, estava fazendo no sebo, e quem o sublinhara? Folheou as páginas iniciais e percebeu que estavam todas anotadas pela mesma letra. Tinha outro livro rabiscado, analisado, nas margens deste. Que jamais vendera sequer a edição de seiscentos exemplares que ele pagara. Que fora desenganado pelos escritores, seus amigos na época, e o condenara à segunda divisão de uma já esquecida geração literária carioca do final dos anos 1990. (…) ‘Desencanto’ fora a premonição do fracasso que se seguiu, não literalmente, mas na sua incapacidade de agir ou reagir. Restara apenas a fuga, impositiva, punitiva, e, desde então, jamais parara de correr, mesmo assentado em Curitiba.”

Sem destino

“Novamente Curitiba na cabeça. Sentiu-se um fantasma na própria cidade; ainda seria a sua cidade?, pensou, ele agora um estranho, parado, sozinho, estático como uma pessoa terrivelmente amedontrada, uma formiga que sabe que será esmagada. Era preciso voltar ao hotel, ler a carta de Ana Maria, decidir sobre seu futuro imediato: ficar ou exilar-se em Curitiba. Mas será que agora não seria o contrário, o exílio na própria cidade natal? Ou em ambas.”

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