De cabeça baixa


Resenha no Estado de S. Paulo
Setembro 21, 2008, 2:14 pm
Arquivado em: De cabeça baixa, Imprensa

Palavra escrita que pára o tempo e impõe a reflexão

Estréia do jornalista carioca Flávio Izhaki, De Cabeça Baixa é construído em torno da obsessão e em ritmo de suspense

Moacir Amâncio

Ao contrário de outros escritores mais novos, Flávio Izhaki, em De Cabeça Baixa (Guarda-Chuva, 186 págs., R$ 23,90), não faz espalhafato. Sua personagem central, um jovem romancista, permanece longe da internet e de tudo o mais, mesmo quando tenta fazer parte. Não se trata de um marginal ou semi. É só um sujeito obcecado por uma questão antiga, que permeia a literatura de todos os tempos: a distância entre a palavra e o que ela determina.

Como lidar com a vida e com as palavras, haverá uma distância necessária entre elas? Se não houver, idéia vertiginosamente bíblica, então procedem todas as preocupações de Felipe, o escritor que perambula pelo Rio e Curitiba. A personagem parece estar convicta dessa desconfiança: a persistência com que se dedica à busca da compreensão do sentido de um livro que publicou e teve uma só crítica justifica a hipótese. O suspense da narrativa é construído em torno da obsessão, nada de espetacular no final do livro.

Sua busca difusa encontra um fio – bem roto – num sebo de Curitiba, onde Felipe acha o volume que pertencera a uma tal de Ana Maria. No livro há a dedicatória e anotações pelas margens. Ele não sossega até encontrar a moça, uma criatura de palavras que utilizaria o romance dele para sua própria ficção. Não falam muito, não há lugar para oralidades expansivas. Tudo se resume ao texto.

A narrativa é construída com frases simples, o que pode confundir despojamento com banalidade. Aí está refletido o esforço do romancista no sentido de captar o que resta das relações sociais, da própria vida das pessoas, que no final das contas acaba se resumindo a alguns detalhes só percebidos através da palavra escrita, que pára o tempo e impõe a reflexão. As coisas acontecem com lentidão, contrariando a ansiedade da personagem – a narrativa se torna tensa. Felipe tende a superdimensionar tudo.

A cena em que as páginas escritas por Ana Maria se espalham no piso imundo de um restaurante torna-se a síntese de todo o romance. O garçom o ajuda a recolher o material, enquanto o bife à Osvaldo Aranha esfria no prato. Aí está, alimentos e palavras como parte de uma mesma realidade chapada, cotidiana e, antes de tudo, muito duvidosa. Dúvida que saudavelmente envenena suas relações reais e imaginárias com o mundo e a cultura. A frustração com a crítica sobre o livro manda o personagem para escanteio, no fundo a melhor posição para ver o jogo – dentro do campo e ao mesmo tempo fora. A partir desse ponto de vista ambíguo se desenrola a narrativa, como uma proposta de reflexão em surdina sobre a lição eclesiástica. Felipe pode ter inventado Ana Maria como ter sido inventado por ela. Este é o primeiro romance de Izhaki, jornalista nascido no Rio, em 1979.



Flap e entrevista
Setembro 19, 2008, 4:53 pm
Arquivado em: De cabeça baixa, Eventos, Flap, Imprensa

Um lembrete e um link. Amanhã, como escrevi anteriormente, participarei de um debate na Flap. A programação está alguns posts abaixo. A mesa começa 14h30 e terá a mediação de Heloísa Buarque de Hollanda (professora da UFRJ e editora da Aeroplano). Estarei ao lado do Miguel Conde, repórter do Prosa e Verso, de O Globo, e da poeta Viviane Mosé. O tema da mesa é: Geração espontânea – Geração Mimeógrafo, 00, 80, 90… Uma estratégia de venda ou um retrato, um instantâneo de um momento literário? Quem define, o que difere? Para situar ou para estigmatizar? São válidos esses rótulos?

*

Um dos colaboradores da Flap, e mediador de um dos debates de domingo, é o Ramon Mello. No início do mês ele me entrevistou para o seu site, Click (In) versos. No site ele já conversou com boa parte dos autores da chamada geração 00. A entrevista entrou no ar hoje. Inicialmente a conversa seria num café, mas o Ramon perguntou se poderia ser na minha casa, para facilitar para todos. Como bom anfitrião sai para comprar umas cervejas. Isso explica a segunda foto publicada na matéria.



O próximo romance
Setembro 17, 2008, 2:14 pm
Arquivado em: Imprensa, Novo romance, literatura

Parece que está na moda a expressão “obra em progesso”. Teve o show do Caetano Veloso, e outro dia noticiaram uma cantora que usa o mesmo expediente. Não sei os resultados pessoais de cada um, obviamente, mas hoje o blog do Prosa e Verso, de O Globo, publicou dois trechos do meu próximo romance, ainda sem nome.

O livro ainda nem na metade, acho, e já mostro para vocês um pouco dele. Foi difícil escolher o trecho. Tinha decidido por um, mas na última hora – decisão em progresso – mandei outro. Não sei se fiz bem ou não. A parte que está lá me pareceu mais significativa.

O tema dos trechos é pesado: uma filha que se despede da mãe terminal no hospital.

Espero que passem lá e leiam, com calma, os trechos escolhidos.



O comentário do professor
Setembro 16, 2008, 1:14 pm
Arquivado em: Colégio Companhia de Maria, De cabeça baixa, Leitores, Livro adotado

E não é que meus delírios sobre a turma de colégio estudando De cabeça baixa estavam corretos. Ontem à noite o Rogério Britto, professor e coordenador de Literatura e Língua Portuguesa do colégio Companhia de Maria deixou um comentário aqui no blog sobre a aula que ele deu sobre o livro. Peço permissão ao Rogério para tirar o bilhete da caixa de comentários e colocar aqui no corpo do blog.

Sem dúvida, foi uma das maiores alegrias que a publicação do livro me deu. Parece que o debate sobre o romance rendeu. Parabéns pela iniciativa Rogério, e que outros professores corajosos optem por iniciativa similar: literatura contemporânea na escola.

“Boa tarde Flávio,

Sou Rogério Britto, o professor-leitor do Colégio da Companhia de Maria, no Grajaú-RJ, que indicou o seu livro, De cabeça baixa.
Gostaria de compartilhar com você alguns momentos interessantes que aconteceram durante a leitura e o debate do livro numa turma de 1º ano do ensino médio.
O primeiro fato é que trabalhar com literatura contemporânea em séries iniciais do ensino médio é pisar em terreno ardiloso. Os alunos não têm, por assim dizer, uma diretriz de leitura. Ou vale tudo ou não vale nada. Esse ponto de vista um tanto raso, às vezes, demonstra a falta de um envolvimento maior com obras contemporâneas — e aqui no Colégio buscamos sempre impulsionar nossos alunos, cada vez mais cedo, a desfrutar do prazer que uma obra contemporânea pode oferecer, sem que haja prejuízo, afastamento ou descaso com as obra clássicas de referência.
Assim, num universo de 40 alunos, o que mais saltou aos olhos foi a capacidade de conquistar sentidos — dos menores aos mais complexos e difíceis —, todos tinham alguma coisa para dizer, apresentar, nomear…
As perguntas eram as mais variadas. Inclusive, o porquê daquele final. A questão de número 4 — que você hipoteticamente cria — não era para dissertar sobre o final do romance, mas confesso que muitos acreditaram ser essa uma das perguntas.
Outra coisa interessante foi a espacialização do Rio de Janeiro, em especial o caminho até a Tijuca, a viagem de metrô e, claro, o conto do Cortazar que fiquei de apresentar a eles.
Competir com as mais variadas formas de entretenimento no mundo de hoje é difícil tanto para o escritor quanto para o professor de literatura. A adesão ao mundo das mercadorias fáceis e banais nos deixa, muitas vezes, sem saber como vender o nosso peixe. A esmagadora maioria diz que literatura é chato, pouco atrativo e que não traz gratificação imediata. Mas com um pouquinho de conversa e boa vontade eles vão olhando de outra maneira.
Vencida a primeira resistência que é o objeto livro, o entusiasmo vem gradativamente; aparece uma pergunta sobre a linguagem, sobre o enredo e quando se percebe, vem aquela famosa frase lá do final da sala: “meu pai só comprou o livro na semana passada” ou “não conta o final por que ainda estou no meio do livro”.
O fato é que você produziu um belo livro. Muito bem escrito, firme, onde os alunos encontraram no personagem Felipe Laranjeiras, uma maneira de passear pela vida moderna e veloz, pelo mal-estar do mundo moderno; um personagem que afastado de si mesmo e do mundo, não suportando as pressões e frustrações a que foi submetido, torna-se exilado fora e depois dentro de sua cidade. É a paranóia delirante de uma sociedade do espetáculo.
A avaliação não é o instrumento final. O que procuramos é levar os alunos a fugir das armadilhas, que são muitas, no universo literário, e insistem em se apresentar. Por isso, a formação livre e autônoma do leitor vale muito mais do que uma simples resposta a partir de um recorte – cole da internet. Aqui, sim, vale o ponto integral.

Forte abraço,
Rogério Britto
Coordenador e Professor de Literatura e Língua Portuguesa
Colégio da Companhia de Maria”



FLAP!
Setembro 12, 2008, 2:23 pm
Arquivado em: De cabeça baixa, Eventos, Flap

Sábado que vem, dia 21, que vem participarei da Flap! Rio 2008. Segue a programação do evento, que acontecerá na Puc, com entrada gratuita. Semana que vem falo mais sobre o assunto.

dia 20 de setembro

14h30 – Geração Espontânea
Geração Mimeógrafo, 00, 80, 90… Uma estratégia de venda ou um retrato, um instantâneo de um momento literário? Quem define, o que difere? Para situar ou para estigmatizar? São válidos esses rótulos?
Mediadora: Heloísa Buarque de Hollanda (editora da Aeroplano e professora da UFRJ)
Flávio Izhaki (escritor)
Miguel Conde (jornalista de literatura dO Globo)
Viviane Mosé (poeta)

16h20 – Sarau Movimento InVerso – Clauky Saba
Adriana Monteiro de Barros / Betina Koop / Madame Kaos (juju hollanda, beatriz provasi e marcela giannini) / Priscila Andrade

16h50 – Empório de palavras
Sebos, livrarias de bairro, virtuais, grandes redes. Produções artesanais vendidas em portas de teatro, e-books disponíveis em sites e blogs. Busdoors propagandeando – e vendendo! – o mais novo título de auto-ajuda. Quem é o leitor de literatura brasileira? Qual o caminho para os novos autores? Poesia não vai para as vitrines porque não vende ou não vende porque não vai para as vitrines?
Mediador: Tanussi Cardoso (poeta e editor de poesia)
André Garcia (site Estante Virtual)
Eucanaã Ferraz (poeta)
Claufe Rodrigues (poeta e jornalista)
Vitor Paes (poeta e editor da Confraria do Vento)

18h40 – Exibição de curta ‘PROCURANDO DRUMMOND‘, de Rodrigo Bittencourt

19h – Encerramento

dia 21 de setembro

14h30 – Palavras nos meios: tecnologia e miscigenação.
Vídeos, CD’S, blogs, sites colaborativos, compartilhamento na web.
O diálogo da literatura entre mídias é uma evidente característica da produção contemporânea. Mas até que ponto os diferentes suportes interferem diretamente na escrita? De que maneira essa interação se torna positiva ou valoriza o texto que não se sustenta? Como está escrevendo a geração de escritores que utiliza a internet como principal ferramenta de publicação?
Mediador: Ramon Mello (escritor e jornalista)
Lucas Viriato (poeta e editor do jornal Plástico Bolha)
Olga Savary (poeta e tradutora)
Omar Salomão (poeta)
Rodrigo Bittencourt (poeta, compositor e cineasta)

16h20 – Sarau Castelinho do Flamengo – João Pedro Roriz

16h50 – Vanguarda
Artistas de vanguarda protagonizaram movimentos marcantes como a Semana de Arte Moderna de 22 e a Poesia Concreta, rompendo com alguns padrões e características estéticas de sua época e re-significando outros. Mas, em 2008, o que é possível encontrar de novo? Ainda existe a possibilidade de vanguarda na literatura atual?
Mediador: Leandro Jardim (poeta e letrista)
Beatriz Resende
Dado Amaral (poeta, ator e cineasta)
Paulo Henriques Britto (poeta, contista, tradutor e professor da PUC-Rio)

18h40 – Exibição do curta ‘POR ACASO GULLAR‘, de Rodrigo Bittencourt

19h – Encerramento



Mudanças no blog
Setembro 11, 2008, 4:28 pm
Arquivado em: Sem-categoria

Eu sou um incopetente virtual, mas tentei fazer umas mudanças no blog para poder instalar esse dispositivo chamado feed. Dizem que se você assinar meu blog, você vai receber uma notificação toda vez que eu colocar algo novo.

Será?

Esperto que dê certo. Mas tenho impressão que muita gente que entende da coisa deve estar rindo de mim agora.



O google e a prova
Setembro 10, 2008, 2:02 pm
Arquivado em: De cabeça baixa, Livro adotado

Eu achei que nunca ia acontecer. Minto; nunca sequer tinha pensado sobre o assunto. Mas em julho o editor da Guarda-chuva me ligou para contar que um colégio do Grajaú tinha adotado De cabeça baixa. Não sei o nome da professor(a)-leitor(a) que tomou a decisão, o nome do(a) diretor(a), e nem para que série – ainda existe série ou mudaram tudo? – o livro foi indicado. Só fiquei feliz, pois um número maior de pessoas lerá o livro.

Não pensei mais no assunto, até que um fenômeno curioso aconteceu aqui no blog. O publicador do Word Press me fala quantas pessoas visitam o blog e como elas chegam até aqui. De domingo para segunda a procura via google por “De cabeça baixa – resenha”, “De cabeça baixa – final do livro”, “De cabeça baixa – resumo”, “Flávio Izhaki – livro” foi significativa.

A procura por “resumo” e “final do livro” me sugerem que, talvez, e aí minha imaginação toma conta, segunda era o dia da prova sobre o livro. Me intrigou especialmente a pergunta sobre o final do livro. De cabeça baixa tem um final “aberto”, embora na minha cabeça está claro o que acontece. Mas para algumas pessoas as possibilidades são amplas, o que acho interessante.

Então domingo, bem tarde da noite, um aluno que leu o livro – a imaginação é minha, deixa eu pensar positivamente – mas não tem certeza do final, entra desesperado na Internet para tentar confirmar sua hipótese do final do romance. Eis que no dia seguinte, na prova, a pergunta 4 é exatemente para dissertar sobre o final do livro. Ele me xinga; mas responde.

Aqui eu intercedo, ou tento interceder – professor(a), seja lá o que esse menino escreveu, dá uma moral para ele. Não faremos mais um adolescente ter raiva de autor e desejá-lo morto. Ele leu o livro, não leu? – na minha imaginação você leu! -, então. Considera essa hipótese e, pelo menos nessa resposta, dá o ponto integral.

O autor agradece…



Feira do rolo
Setembro 9, 2008, 12:11 am
Arquivado em: De cabeça baixa, Eventos, Feira do Livro de Brasília

Semana passada escutei uma entrevista de um conhecido escritor dizendo que os autores brasileiros são bundões. Seja a afirmativa é exagerada ou não, me senti um tremendo bundão no sábado. Como comentei aqui nas últimas semanas fui convidado para participar da Feira de Brasília, para debater a literatura brasileira geração 2000 ao lado de Walther Santos, vencedor do Prêmio José Mindlin.

 

Sábado de manhã, já em Brasília, leio o seguinte no Correio Braziliense (matéria com chamada na capa): “Feira do rolo” (rolo, me falaram, é uma alusão a uma feira de troca de produtos roubados, algo como a Robauto aqui no Rio).

 

A matéria dizia o seguinte: A secretaria de Cultura do DF não liberaria a verba para a Câmara do Livro do DF pagar o evento. Para “contra-atacar”, a CL-DF mandou um e-mail na sexta, 18h47, para TODOS os jornais de Brasília comunicando que a Feira estava encerrada com dois dias de antecedência, ou seja, as atividades de sábado e domingo estavam canceladas.

 

Horas depois, pressionado pelos livreiros, a organização do evento deixou de birrinha e confirmou as atividades para o fim de semana.

 

Acontece que os prestadores de serviço, prevendo o calote, se manifestaram. A empresa que alugou o gerador desligou a energia do evento por duas horas na sexta-feira. Segundo o Correio Braziliense: “a poetisa Elisa Lucinda fazia uma sessão de autógrafos no Café Literário. Foi obrigada a mudar de local para poder continuar.”

 

Ainda na mesma edição do jornal, outra informação estarrecedora, essa contando um fato que acontecera na terça-feira. Os escritores José Luís Peixoto e Francisco Viegas, que vieram de Portugal, tiveram sua palestra atrasada por um evento e um coquetel do organizador da Feira. A falta de respeito chegou ao ponto de cancelarem o debate dos escritores e pedir para eles “lerem uma poesia” e sair.

 

Repito: notícia veiculada na edição do último sábado, dia 6 de setembro, no Correio Braziliense.

 

Vai ter evento?

De manhã li no jornal que a feira poderia ser cancelada e liguei para a curadora da programação. Ela disse que tudo estava confirmado.

Meu debate era 18h30. Cheguei na feira 18h e fui direto procurar o local em que a palestra estava marcada. Era na Oficina II, e não no Café Literário. No Café Literário estava marcada uma apresentação da banda Clube da Bossa. O local da “oficina II” era um puxadinho atrás de um dos estandes. Resumindo, não passava ninguém por lá. No local nada indicava a palestra. Às 16h30 teria um bate-papo com Daniel Link, mas a sala estava vazia. Provavelmente o autor foi um dos vários que, segundo a matéria do Correio, cancelaram sua presença.

 

 

 

Liguei para a curadora do evento novamente. Ela não atendeu.

Fiquei esperando e uma moça disse que a curadora estava participando de um debate com o tema “Mulher na literatura” na oficina 1. Na sala 1 tinham oito pessoas. Na porta tinha um papel ofício colado com o nome de sete participantes (e sem o nome da curadora). Ou seja, as debatedoras conversavam entre si.

 

 

 

Algumas pessoas entravam nessa “barriga” em que a oficina ficava, olhavam para a salas, não entendiam nada e iam embora.

Às 18h45, depois de esperar um tempão, a curadora aparece. Fica falando sobre a desorganização da feira, que ela foi convidada para ser curadora e que está arrependida. Diz que em um dia anterior o organizador do evento cancelou a palestra de uma autora argentina para encaixar um coral de crianças da UnB. A argentina, segunda ela, foi embora ultrajada, sem falar com ninguém.

Perguntei pelo outro autor convidado, Walther Santos. Ela não sabia. Diz que vai perguntar para alguém. Fiquei pensando que o escritor bem poderia estar no hotel esperando até agora e ninguém se lembrara dele. Esclarecendo: tenho família em Brasília e abri mão do hotel.

Vejo que ela não está minimamente preocupada com a palestra e pergunto do mediador. Ela diz que a mediadora seria ela. Eu estranho, pois perguntei duas semanas antes e ela disse que “ia arranjar alguém legal”. Ela começa a dizer que está capacitada, tem mestrado disso, daquilo, mas não enseja dar início a nada e nem falar no alto-falante que vai ter debate. Sem participante, mediador e público – a feira lotada, mas naquele buraco ninguém sabe que vai ter palestra – pergunto, então, se não vai ter debate.

 

 

 

Ps: O outro autor, Walther Santos, me mandou e-mail nesta segunda contando sua saga. Ele achou que a palestra era no Café Literário, até que tomou um susto com o início da banda de Bossa Nova. Disse que alguém da organização perguntou se ele queria que tirassem os “velhinhos do palco” para a palestra, mas ele negou, obviamente. Mais tarde, a curadora apareceu e ante a reclamação dele sugeriu que “empurrassem os argentinos para mais tarde”. Ele também não aceitou. E ficou por isso mesmo. E o Walther, coitado, ainda teria de pagar metade das diárias do hotel, pois a organização não pagou a coisa toda e o hotel exigiu que ele quitasse a dívida. Mas ele não é bundão como eu e foi embora. Boa, Walther.

Ela “me convida a assistir os autógrafos de escritores argentinos”. A mediadora da palestra de 18h30, que não apareceu até 18h45, me convida a assistir uma sessão de autógrafos às 19h. Nem sequer uma palestra, mas uma sessão de autógrafos. Digo que não e vou embora. Bundão.



Digressão literária
Setembro 4, 2008, 3:12 pm
Arquivado em: De cabeça baixa, Novo romance, literatura

Ontem à noite, mais uma vez demorando séculos para dormir, comecei a pensar sobre qual é o ponto de interseção entre De cabeça baixa e este novo romance que estou escrevendo. Do ponto de vista literário, pouco ou quase nenhum. O primeiro livro tinha um personagem central, que conduzia a trama, e, embora usando flash backs e trechos de livros escritos por ele e por outro, o romance sempre seguia adiante em torno da figura dele, da busca de uma pessoa.

Neste novo livro, não. Provavelmente serão seis os grandes personagens – já fui apresentado a quatro -, todos narrando em primeira pessoa (em De cabeça baixa a narração é em terceira). A questão temporal será bem dilatada.

Em termos de assunto, nenhuma semelhança. Nenhum personagem escritor ou referência ao mercado editorial. Faixa etária também é completamente diferente. Felipe Laranjeiras tinha cerca de 30 anos, os persoangens desse novo livro muito menos ou muito, muito mais.

Então, continuei pensando, dopo 1h30, em que ponto os dois livros se tocam? Acredito que achei a resposta, e com isso facilito o trabalho de futuros resenhistas: meus personagens tem muita dificuldade de conversar com outras pessoas. Limitação do escritor ou foco de interesse? Aposto na segunda alternativa, com um sorriso no canto dos lábios. Acho que nessa dificuldade em convesar, em se expor, abrir o que pensa para os outros, outro, em palavras ou gestos, está o cerne da questão que quis e quero pensar sobre. Sem essa troca, toda vida é um imenso segredo a ser explorado.

E o livro ganhou um título provisório. Mas, sendo provisório, ele ainda não precisa ser revelado.



Convite Brasília
Setembro 1, 2008, 5:08 pm
Arquivado em: De cabeça baixa, Eventos, Feira do Livro de Brasília

O bravo Walther Moreira dos Santos, com quem dividirei a mesa em Brasília, fez a gentileza de preparar um convite para a palestra do próximo sábado. Após o debate, que acontecerá das 18h30 até 20h30, autógrafos de lançamento do livro do Walther, O ciclista, e do meu.

O Walther me achou pelo msn, tempos modernos. Ele reclamou que foi difícil achar meu e-mail. Para quem quiser me escrever, o e-mail está na seção Sobre o autor. Como diria o outro: “Quem procura… acha”.