De cabeça baixa


Rascunho
Julho 14, 2008, 12:30 pm
Arquivado em: De cabeça baixa, Imprensa

Saiu uma resenha do livro no Rascunho deste mês (adicionei o texto em Imprensa). O texto é bem peculiar. O resenhista, Márcio Renato dos Santos, optou por analisar menos o livro e pensar mais sobre ele. Confuso? Um pouco. Ele conta a história do romance, mas alterna a descrição com trechos opinativos sobre os Felipes Laranjeiras da Curitiba atual – cidade do resenhista e em que o personagem do romance se auto-exila. É mais uma intervenção do que uma resenha: falo isso como elogio. Afinal exigiu mais labor criativo do que um simples texto crítico.

Aproveitando a resenha do Rascunho, tenho achado curioso essa fratura de entendimento entre as pessoas do meio literário (escritores e afins) e leitores comuns. Os escritores parecem cair sempre para o lado da história que é cruel com os geniozinhos literários; as demais pessoas parecem entrar mais na coisa do relacionamento dele com o mundo (mulheres, cidades, pressão sobre o futuro).

Pode ser apenas uma impressão, mas é interessante pensar sobre o assunto…


1 Comentário até o momento
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Concordo com você Flávio. E fico pensando se o motivo não seria essa enxurrada de livros autobiográficos que têm saído das editoras para o público. Todo mundo agora quer escrever um livro e publicá-lo, bom ou não. Se a pessoa sofreu um acidente, se cortou o pé ou teve um filho, conta-o a sabe-se lá quem em um livro. Claro, não é generalizante. Flaubert escreveu Madame Bovary depois de ter lido nos jornais sobre a historia de uma mulher que se suicida com veneno. Entretanto é preciso ter um trabalho, seriedade e respeito. Clarice Lispector em A Hora da Estrela parece misturar sua vida pessoal, que chegava ao fim, com a descrição da realidade nordestina, e do imigrante em geral, a uma terceira pessoa desconhecida. Mas será mesmo que é ela ali? Sim, pode-se dizer que sua escrita e seu estilo estão ali, mas jamais a sua vida. É estritamente diferente. Acho que na literatura, diferente da realidade, deve-se procurar ter um olhar diferente e até incoerente. É ficção. Mesmo que real, deve ser vista como ficção e desvinculada da vida pessoal e quem a escreveu.

Comentário por Nathanael




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