Nas últimas duas terças saíram matérias sobre novos autores em que fui citado. A abordagem era diferente. No Globo a pauta era como fazer para publicar o primeiro livro, que caminhos tomar, qual o momento de procurar uma editora etc. Fui ouvido (junto com a Simone Campos e alguns editores) como uma voz que conseguiu passar pela peneira.
Mas que dicas eu poderia dar para alguém que está começando agora? As mesmas de sempre, para falar a verdade: ler absurdamente, clássicos e novos, para saber o que já se escreveu e o que está escrevendo, escrever continuamente, sempre deixando o texto descansar para depois retomar e julgar, mostrar para outros escritores mais experientes e pedir opinião, e tentar fazer uma rede de colegas mais ou menos da mesma faixa etária para trocar textos e opiniões.
Dicas que todo mundo já sabe, mas não custa repetir.
O que não acredito: autopromoção deslavada, inscrição em qualquer concurso (são pouquíssimos os que realmente fazem diferença - uma dica é tentar saber o nível dos jurados), querer aparecer de uma hora para outra, publicar por publicar achando que é só o livro sair impresso que todo mundo descobrirá o gênio escondido e incompreendido.
O que achei mito na matéria: a necessidade de agentes literários para o livro ser publicado. Um dos garotos entrevistados fala que só assim é possível ser editado. Aqui no Brasil? Mito. Pouquíssimos autores têm agentes. A questão para publicar é a velha e boa qualidade, talvez com uma pitada de conhecimento de mercado – não adianta que seu primeiro livro não será editado pela Companhia das Letras, que nunca lança o primeiro livro de autor algum.
Já a matéria que saiu na terça no JB (leia aqui) falava sobre os autores “novos”, já publicados, que estavam em Paraty para a Flip. Eram oito autores na matéria, oito pessoas que conseguiram esgueirar-se e furar essa peneira para a publicação. Confesso que só conhecia o trabalho de três deles, todos altamente recomendáveis, mas para quem quer ler o que está se publicando hoje, vale anotar o nome de cada um e correr atrás dos livros.
*
Escrevo minhas impressões sobre a Flip amanhã…
2 Comentários até o momento
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Flávio,
Eu li as matérias e também as achei estranhas. A tão alta, e quase indispensável, recomendação de que se procure um agente literário a fim de que o mesmo avalie sua produção foi uma surpresa na reportagem. Arrisco levantar a hipótese de que seja uma tentativa de difundir um pouco a profissão, e com isso conseguir mais cargos em editoras. O que é perigoso, porque se formos apenas pelo tal “MERCADO” ficaríamos apenas com os escritores antigos, e uma produção sempre igual. O mercado agora mesmo, a meu ver, aponta para a China. Teremos as prateleiras das livrarias amarrotadas de livros sobre a China e seus conflitos (em geral iguais em qualquer outro país; conflitos humanos). Foi assim com o Oriente Médio, com o Japão, com as mitologias nórdicas e até mesmo com o Brasil. Poucos foram os que conseguiram se firmar nesse tal “Mercado”.
Agora, você levanta a questão dos concursos. Gostaria de saber, na sua opinião, quais concursos você indicaria a participação.
Abraço.
Comentário por Nathanael Julho 10, 2008 @ 10:38 pmNathanael: sobre a China, você não perde por esperar. Vem aí uma enxurrada de lançamentos mesmo. Só resta esperar para ver se o leitor brasileiro está interessado. Meu palpite… não.
Sobre concursos, acho que vale pensar caso a caso. Mas se fosse para escolher um para indicar para um novo autor escolheria o Prêmio Sesc. Garante a publicação do livro por uma grande editora e um tour pelo Brasil falando para as regionais do Sesc.
Dois prêmios inigualáveis.
Comentário por Flávio I. Julho 10, 2008 @ 11:04 pm