De cabeça baixa


Encontros de literatura contemporânea
Junho 30, 2008, 3:18 pm
Arquivado em: De cabeça baixa, Eventos

Estarei em São Paulo no dia 22/7 para participar dos “Encontros de literatura contemporânea”, evento que acontecerá às 20h na Casa Mário de Andrade (Rua Lopes Chaves, nº 546 — Pacaembu). Minha mesa será sobre romance, ao lado de Miguel Sanches Neto e Luis Eduardo Matta, com mediação de Julio Daio Borges. Nos três dias subseqüentes rolarão mesas com os temas contos, poesia e crônicas, com nomes bacanas também (a programação completa, aqui).

Levarei uns livrinhos na mochila para as pessoas que querem comprar o livro mas ainda não conseguiram achar.

Do evento, falo mais quando chegar mais perto. Por enquanto, um parágrafo do release:

Qual é a literatura que se pratica no Brasil, desde os anos 2000, com a chegada da internet no País? Quem são os principais autores dessa safra e quais os seus livros? Além da ligação, mais ou menos intensa, com o Web, qual outra característica permeia sua produção? Como esses autores dialogam com a tradição da literatura brasileira? Como surgiram, como divulgaram seus trabalhos e como viabilizam sua escrita hoje? Como é, afinal, ser autor agora?

Terça-feira, 22/7, às 20 hs. — “Romance”

Miguel Sanches Neto: escritor paranaense e crítico literário, autor de Chove sobre minha infância, Herdando uma biblioteca e A primeira mulher;
Flávio Izhaki: autor de De cabeça baixa (pela Editora Guarda-Chuva), considerado pelo jornal O Globo como sua aposta literária na nova geração de autores nacionais;
Luis Eduardo Matta: autor de 120 Horas (editora Planeta) e Morte no Colégio (retomando a Série Vaga-Lume), criador do manifesto pela Literatura Popular Brasileira (LPB).


2 Comentários até o momento
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Ao ler o release com tais perguntas, algumas idéias me surgiram a cabeça. Não sei se você irá concordar com elas, mas aqui seguem:
A literatura, como sempre ocorreu desde o seu surgimento, está em constante mudança. A chegada da internet deu espaço para que os leitores tenham mais conhecimento de autores e obras. Mas essa ainda funciona muito como banco de dados apenas, e não tanto como espaço utilizado para a criação, surgimento de novas idéias. Pouco aberta à interação e desenvolvimento de um conhecimento reflexivo-construtivo.
Acho que os principais autores sempre serão os que continuarem a se comunicar com as pessoas, independentemente dos veículos utilizados para tal diálogo. Logo, os principais livros serão não aqueles de auto-ajuda que parecem reduzir as pessoas com seus manuais contendo, passo a passo, regras para se alcançar o que quer que seja, mas aqueles que gerarem uma reflexão, provocarem uma análise e formação de opinião (mesmo que não tenham tido a pretensão de assim o fazerem).
Não concordo que haja a transposição do livro físico para o virtual, bem como que a linguagem virtual vá parar dentro dos livros. Cada um deve ter o seu espaço de utilidade. (Contudo isso não impede que a internet possa ajudar na complementação de um livro e possibilitar a troca de idéias e de sensações com o seu autor).
Os escritores dialogam com a tradição sempre porque, antes de serem autores, foram leitores. Quem nunca leu, ou mesmo ouviu (através de suas mães ou avós), os contos de fadas dos irmãos Grimm? É indiscutível que essas histórias, mesmo que inconscientemente, façam parte da memória daqueles que escrevem atualmente. Se a literatura alemã influência, a brasileira igualmente o faz com Monteiro Lobato, Ana Maria Machado, Drummond, Mauricio de Souza e tantos outros.
Numa coisa em que a internet pode, e deve, ajudar é no surgimento de novos escritores e obras. Por ser um novo espaço, aberto a experimentações, pode fugir de certas convenções a fim de não repetir o que já existe no mundo literário. Mas, ainda assim, é preciso estar sempre alerta para que não ocorram desestruturações incoerentes.
Em suma, acho que ser autor hoje é igual a ser autor ontem: um trabalho árduo de superação de si e do mundo, uma luta pela firmação e realização de um sonho.
Espero, Flávio, que você poste as suas opiniões quanto a esses temas?

Comentário por Nathanael

Eu poderia assinar embaixo dessa sua opinião, Nathanael.
Se pensar em outras coisas prometo escrever.

Abraço,
Flávio

Comentário por decabecabaixa




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