Isolado em grandes centros urbanos os autores talvez não tenham a dimensão de como o Brasil é grande e que em qualquer lugar é possível encontrar pessoas interessadas por literatura – quanto mais nova literatura. Era isso o que o Julián e eu conversávamos na véspera da palestra.
Será que alguém estaria interessado em dois escritores jovens, desconhecidos fora de suas cidades? E se tivesse alguém lá, o que falar?, como despertar a atenção dos espectadores?, como não soar específico ou pedante?
Na hora da palestra, sábado 9h30 da manhã, não só tinha gente lá – cerca de 80 pessoas - como bastante interessada. Comandada pelo bravo Rogério Pereira, editor do Rascunho, eu e o Julián respondíamos as questões propostas e era patente que o público estava gostando. A cabeça concordando a cada resposta, as risadas na hora certa, os sorrisos.
Literatura tem público!
Quando o Rogério abriu o microfone, medo eterno para todo palestrante, as perguntas vieram em seqüência. E a palestra acabou não por falta de assunto, mas de tempo. Maravilha. No final, muita gente veio falar conosco, agradecer a presença (somos nós que agradecemos o convite, que fique claro), contar histórias, tirar fotos, pedir para assinar o livro, que algumas pessoas correndo foram comprar.
Para não perder o vôo tive de sair quase correndo, corrido no bom sentido, e ficou um gostinho de quero mais. Quem sabe daqui a dois anos, na próxima Bienal Rubem Braga, a III… Se me chamarem, eu vou.
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