Véspera da viagem para Cachoeiro de Itapemirim. Puxei aqui da minha estante o livro A casa dos Braga – memória de infância. O cronista nasceu em 1913, sua infância já tem bons 90 anos. A cidade certamente não é mais a mesma, nem poderia ou deveria ser.
Folheio o livro. Paro na crônica “A minha glória literária”. Vem aí um passo em falso, penso. Leio. É história de colégio. As primeiras redações. O pequeno Braga de então incumbido de escrever uma composição com o tema “A lágrima” (é melhor nem pensar no motivo desse tema). O cronista-mirim molha a pena no tinteiro e derrama adjetivos no papel. Nota 10. Mais: redação publicada no jornalzinho do colégio.
Novo tema: “Bandeira nacional”. A crônica sai sem esforço. Novo 10, desta vez sem o jornal, que deixara de circular, mas duas meninas, e imagine só o que seria isso, duas meninas pedem a redação para copiar e guardar. Glória!
Quem segura o grande Braga, promessa da literatura nacional? O tema “Amanhecer na fazenda”. O professor acha que o pequeno Rubem erra na mão e dá-lhe um 5, com direito a leitura de trechos em voz alta e gargalhada geral: a primeira vaia.
Vale a pena pensar na trajetória dessa crônica para refletir sobre a literatura brasileira contemporânea, tema da mesa que participarei no sábado pela manhã. Lá digo o que pensei a respeito.
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Gostei do que li.
Comentário por Ester Junho 7, 2008 @ 5:21 pmGostei do que ouvi.
Mais do que isso, gostei de saber que é leitor e admirador do nosso querido Rubem Braga. Sei quão sonoro e doloroso o peso de uma vaia. Mas entendo que sem ela não há crescimento, pois faz parte da vida o cair, o refletir e o levantar.
Penso que para escrever é preciso ousadia, mais do que isso, é preciso transcender as barreiras da fantasia para transpor as mais sinceras e celebres emoções.
Ha poucos minutos desconhecia seu trabalho e, principalmente, a destreza com as palavras que flui livremente mesmo com toda a timidez.
Hoje, você aguçou em mim o desejo de ler “De cabeça Baixa” e mergulhar de cabeça no que chamamos de literatura.
Sinto-me mais encorajada a dar os primeiros passos rumo ao desconhecido, assustador e provocador mundo da escrita.
Tenho que parabenizá-lo por tão rico e agradáveis instantes que vivi ao participar da roda de conversa na bienal Rubem Braga.
Ester,
Comentário por decabecabaixa Junho 9, 2008 @ 10:25 pmobrigado a você e a todas as outras pessoas tão gentis, atenciosas e interessadas que estiveram na palestra no sábado.
Pretendo escrever sobre a viagem quando tiver um tempinho.
Abraço,
Flávio