Ano passado, após um dos embates da Copa de Literatura Brasileira, rolou um debate acalorado na caixa de comentários sobre a presença de spoilers em uma das resenhas-jogos. Para os menos entendidos em internet vale duas explicações básicas. A Copa de Literatura Brasileira é um prêmio em que 16 romances previamente escolhidos são distribuídos em uma chave, como de um mata-mata futebolístico, e vão se enfrentando até só restar um livro de pé, que é declarado o campeão (na primeira edição foi Música perdida, de Luis Antonio Assis Brasil).
Spoiler são comentários que entregam o conteúdo de uma obra que não é de conhecimento público. Acontece muito no caso de séries americanas que passam primeiro na televisão de lá e só chegam aqui semanas, meses depois. No popular, os spoilers são os estraga-prazeres.
A práxis é avisar que vai se contar sobre o conteúdo que não é de conhecimento público, para que a pessoa que ainda não viu o programa não leia o restante da matéria. Mas como isso funciona em literatura, em resenha mais especificamente? Contar a história do livro é estragar o prazer da leitura? Qual a linha que não se pode cruzar: contar a função de um personagem que é chave, escrever sobre o desfecho, reclamar contextualizando com detalhes sobre o final que não bate com o que é narrado durante o restante do livro?
Retomando o início do post, um autor reclamou de uma resenha na Copa de Literatura Brasileira pois a análise entregava demais do livro. Foi uma das primeiras coisas que lembrei quando li uma crítica sobre o meu livro em que o final da trama é copiado para as páginas do jornal, com aspas de todo o último parágrafo.
Fiquei pensando: isso pode? Não seria um egoísmo do crítico supor que a leitura dele será a única, definitiva, que seja OK para o livro que seu fim seja colocado nas páginas da imprensa? Mas e, jogando agora do outro lado, por que não? Será que uma análise de um livro pode se dar ao luxo de não falar de certas partes do livro para não estragar a leitura de outros?
Eu não tenho uma resposta definitiva sobre o assunto, mas não posso dizer que não fiquei incomodado.
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