De cabeça baixa


Pensando em voz alta sobre a noite no Loyola
Maio 2, 2008, 3:23 am
Arquivado em: De cabeça baixa

Foi bacana o bate papo e a leitura no Centro Loyola. O espaço é bem interessante e espero que aconteçam outros eventos literários por lá. Mas o que realmente curti foi perceber que cada vez que penso sobre o livro, falo sobre o livro, eu mesmo produzo perguntas, respostas e questionamentos diferentes daqueles que tive quando, e enquanto, estava escrevendo.

Falar sobre o seu trabalho faz você pensar de um jeito até certo ponto assustador sobre os sentidos que verbalizou com sua história. Já falei aqui do que chamei de fracasso do escritor. Aquilo que está no papel não é exatamente o que queria dizer quando primeiro tive a idéia do livro. Na verdade é um caminho alternativo, que quase passa longe do que primeiro pretendia.

Mas foi o caminho errado?, o certo?, ou, a opção que chamaria de a mais pedante e ,anacronicamente, religiosa, a opção possível? Não sei.

Cada vez que escuto uma pessoa falar do meu livro, o que entendeu, o que gostou, o que destaca, e, mais ainda agora, cada vez que uma pessoa ler meu livro em voz alta com uma entonação diferente da que eu imaginava não só ao escrever, mas ao reescrever, ao revisar, cada vez que uma entonação inimaginável romper o que eu pensava definitivo, sólido, eu ainda vou me surpreender, e possivelmente ficar satisfeito.

Mesmo que seja uma leitura equivocada, desajeitada, uma leitura arraigada em a priori, em achismo, em raiva, inveja. Mesmo assim terá valido a pena, valerá a pena. Mas valer a pena não tem nada a ver com fazer uma pessoa melhor ou pior, espiritualizada ou culta. Valer a pena é simplesmente a experiência de sentir que o caminho não acaba quando o ponto final é colocado, a última prova liberada, o calhamaço vira livro, escondido ou não nas livrarias, e as resenhas no jornal. Tem mais ainda, tem muito mais depois.


2 Comentários até o momento
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Flávio, você leu meus pensamentos,
tava doida pra saber como foi a leitura do livro.

eu também me surpreendi bastante quando vi uma leitura do Fabrício (Carpinejar), porque a gente já se falava por email, e eu imaginava um jeito, uma entonação, e na vida real, apesar de já saber o que ele falava, e a foto dele, foi tudo tão diferente e novo… uma delícia. Engraçado isso de imaginar uma voz e ver quantas vozes podem existir. Bjs,
Paula

Comentário por paula

Mas quando digo voz quero dizer algo além da voz como onda sonora. Penso nas interpretações mesmo. Cada pessoa lê o livro de um modo, e tira daquilo uma resposta – mesmo que no livro essa resposta seja mais uma pergunta.

Comentário por decabecabaixa




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