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Tenho recebido alguns e-mails comentando o livro. Pretendo publicar essas opiniões aqui (com a devida liberação, claro), pois é bem bacana saber que as pessoas estão não só lendo como pensando sobre o livro.
Esta primeira “crítica impressionista” (a expressão é da autora), é da poeta Paula Catajy. Não nos conhecemos, que fique claro. Ela soube do livro, comprou e me escreveu por e-mail para comentar (meu e-mail, aliás, está em Sobre o autor):
“Momentos que não passam, sonhos que nos acorrentam, frustrações que não esquecemos.
A partir de estranhas coincidências, o renascimento de um livro num sebo, o livro de Felipe, Marcelo, Luana, Ana Maria.
Esse é o eixo central do primeiro romance de Flávio Izhaki, escritor já conhecido no meio internauta que já participou de prestigiosas coletâneas de contos e amadurece de forma rápida e segura, dando seqüência ao trabalho literário desenvolvido desde 2003.
‘De cabeça baixa’ traz a história de outro livro e, tal como uma boneca russa, fala de um livro que assume vida própria e percorre um desconhecido caminho até retornar à mão de seu vacilante autor.
Não volta virgem, porém.
Traz em seu corpo rabiscos, reflexões, contrastes.
Volta cheio de interrogações, interlocuções e surpresas, traz um enigma a ser desvendado.
Excitado com as possibilidades que se abrem na leitura atenta e descompromissada de uma desconhecida, deliciado com as perspectivas de saber-se lido, desejado, criador do desejo alheio, lhe proporciona novo alento.
A dificuldade de retomar o próprio percurso não é privilégio de Felipe ou de Marcelo.
A dificuldade em descobrir novos sonhos, em ousar arder por novos desejos, em fazer novos planos, em dar continuidade à vida apesar de tudo, apesar das dores, se instala sorrateira em muitos endereços.
Rio, Curitiba, São Paulo, tanto faz, a diferença seria apenas do clima.
Antes de partir para Curitiba, Felipe escuta entre berros e lágrimas que ‘vive de cabeça baixa’, que encarna o papel forçado de eterna vítima, frustrando amigos, amantes, frustrando a si mesmo para se regozijar do enfurnamento nas próprias frustrações.
Os rabiscos daquela estranha leitora, porém, trazendo-lhe ódio e curiosidade pelo teor ácido de suas críticas, o ressucita da letargia.
Busca então, em vão, reencontrar o passado, tenta resgatar o que foi deixado para trás acreditando que encontrará nele – num amor passageiro, numa mulher do passado - a rendição, a salvação, a nova vida que deveria ter sido e não foi.
Em sua peregrinação por uma resposta, descobre as tantas angústias que constituíam a causa verdadeira de seus fracassos e ousa levantar a cabeça, ousa lançar um novo olhar sobre si e sobre o que fizera e faria com sua vida e repara, finalmente, que o essencial para seguir adiante seria apenas a coragem de passar uma página.
Fugir ainda seria uma opção?”
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